“Ora, o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus (…) Mas o que é espiritual discerne bem tudo…” (1ª Coríntios 2:14-15)
Ao contrário do que muitos imaginam, o “homem espiritual” não é aquele que veste roupas diferenciadas, que vai ao monte para orar, que faz jejuns, que mostra aparência de santidade etc. Na verdade, é bem o contrário disso tudo.
É imprescindível entendermos que o genuíno homem espiritual, antes de tudo, é aquele que foi criado espiritualmente desde antes da Criação do mundo e que, posteriormente, veio ser participante de carne e sangue (Hebreus 2:14). Ou seja, o homem espiritual é aquele que o Senhor conheceu de antemão – “…os que dantes conheceu…” (Romanos 8:29) – e que, portanto, possui a natureza espiritual (a natureza de Deus), além da natureza de Adão (carnal).
Há dois tipos de pessoas neste mundo: aqueles que possuem apenas uma natureza (terrena, carnal) e aqueles que, como nós, têm as duas naturezas. Dentro da Doutrina da Graça nós chamamos estes dois grupos de “duas sementes”. Paulo fala deste assunto aos Coríntios:
“Assim também está escrito: o primeiro homem, Adão, tornou-se alma vivente; o último Adão, espírito vivificante. Mas não é primeiro o espiritual, senão o natural; depois o espiritual. O primeiro homem, sendo da terra, é terreno; o segundo homem é do céu. Qual o terreno, tais também os terrenos; e, qual o celestial, tais também os celestiais” (1ª Coríntios 15:45-48).
Trocando em miúdos, Paulo está dizendo que o grupo de pessoas que descende apenas da carne são somente terrenos (pois não vieram do céu). Já o segundo grupo são os celestiais (pois vieram do céu). Estes podem ser chamados individualmente de homem espiritual.
Uma vez que nós, celestiais, somos eminentemente espirituais, podemos afirmar que:
1) Obviamente possuímos espírito (também conhecido como “homem interior” – Romanos 7:22).
2) Somos filhos de Deus – conhecidos por Ele desde antes da fundação do mundo, eleitos e predestinados à Salvação (Efésios 1:4-5; Romanos 8:30).
3) Sendo possuidores de espírito e filhos de Deus, nesta Nova Aliança possuímos o Espírito Santo dentro de nós para sempre (1ª Coríntios 3:16)
Segundo o apóstolo dos gentios, o homem natural, isto é, o terreno, que não tem espírito, não compreende as coisas de Deus, pois ele as tem como loucura:
“Ora, o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque para ele são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente.” (1ª Coríntios 2:14)
Como as coisas de Deus só se discernem no âmbito espiritual, apenas aqueles que possuem o homem interior e, consequentemente, o Espírito Santo, podem entendê-las de fato e viver por elas verdadeiramente.
A princípio, lendo esta passagem bíblica, vem à nossa mente as pessoas religiosas que não aceitam o Evangelho da Graça (que, claro, é “coisa de Deus”). Se analisarmos friamente o que Paulo escreveu, chegaremos à conclusão que tais pessoas não passam de seres terrenos, isto é, carnais (filhos da perdição) “fantasiados” de crentes em Cristo. Porém, não podemos nos precipitar, pois uma pessoa pode, sim, nem que seja num primeiro momento, rejeitar a Palavra do Evangelho, mesmo sendo uma ovelha. Como isto pode ser possível? Por meio da cegueira que a religião causa na mente do povo de Deus.
O Senhor jamais colocaria uma venda nos olhos de Seus filhos. Deus endurece apenas aqueles que não são espirituais:
“Mas, se ainda o nosso evangelho está encoberto, é para os que se perdem que está encoberto.” (2ª Coríntios 4:3)
Porém, a religiosidade fecha os olhos de muitos filhos de Deus para que não entendam as coisas do Altíssimo. Isto acontece porque a religião é uma lógica humana, que não precisa do espírito para ser entendida; logo, ela ativa a mente carnal das pessoas, impedindo que a mente espiritual (de Cristo) se manifeste. Por isso que a verdadeira batalha espiritual é contra TODA RELIGIÃO, a fim de que os homens espirituais (os filhos de Deus) possam ter acesso à verdade do Evangelho da Graça de Deus para serem verdadeiramente livres.